5.4.09

mudança de endereço.

Já faz um tempo que eu planejo uma mudança de endereço para o trEPA!
Eu já tinha colocado pra vocês que alguns propósitos haviam mudado e foi assim que nasceu o Parabólica MAG. Um pouco mais abrangente, menos sentimentalista, mas não por isso com menos sentimento, o Parabólica é curioso e não acredita em censura. Ouve a conversa alheia, presta atenção nos trejeitos do outro, pensa no significado dos menores atos cotidianos. É uma reunião de observações, questionamentos e acontecimentos sobre a vida em sociedade, sobre os permenores do ser humano e as contradições pertencer a humanidade.

Convido vocês a se juntarem ao Parabólica, que assim como trEPA! não tem medo e nem vergonha.



desaba.

não adianta mais eu me enganar, negar, fazer de conta que não existe.
a tristeza tá aqui, ela invade e ela torna as lágrimas reais.
mais reais do que em qualquer outra vez.
tentar criar forças, imaginar, às vezes perde o sentido.
e não há nada que te impeça de desabar.

eu, desabei.

2.4.09

agora sobre o amor.

"In the absence of your love 
And in the absence of human touch 
I have decided 
I'm, I'm throwing my arms around 
Around Paris because 
Only stone and steel accept my love"

I'm Throwing My Arms Around Paris - Morrissey

 A lembrança dessa música surgiu em meio a uma daquelas variadas pautas de quem tem aula de criação em uma manhã cinzenta de quarta-feira. Assim como o efeito dominó, conversavamos sobre a sintonia dos últimos acontecimentos, todos eles envolvidos diretamente com a palavra amor. Ah o amor, tão bonito falar dele, tão complicado viver com e sem ele. Falavamos sobre como o amor é um combustível indispensável da felicidade cotidiana. Uma amiga citou o filme Vicky Cristina Barcelona, dizendo que a personagem afirmava que o amor romântico só existe enquanto é platônico.
Tivemos que concordar e admitir que talvez essa seja a complicação dos relacionamentos. E falando por mim, tenho que admitir isso de boca cheia.

Enfim, só me resta abraçar Porto Alegre.

 

porto.

Existem dois assuntos que recheiam meus pensamentos nos últimos tempos: amor e Porto Alegre. E a verdade é que um é consequência do outro. Buscando colocar ponto final em um amor, voltei a me envolver com a capital mais arduamente. E como é bom.
Esquecendo os bairrismos do nosso espírito gaúcho, acho que o bom relacionamento com a cidade onde moramos é imprenscindível. E como qualquer outro amor deve ser verdadeiro e bom para as duas partes. 
Eu não sou daqui, e admito que enquanto eu morava no interior nunca sonhei com a vida na cidade grande, muito antes o contrário, minha impressão sobre POA era péssima. Afinal, os únicos pontos da cidade que eu conhecia era o Shopping, o hipermercado e o McDonalds da Silva Só, o que hoje, não é nem de longe, os motivos pelos quais eu gosto de morar aqui. Foi necessário que primeiro eu vivesse Porto pra que assim me sentisse conquistada por ela.
Hoje eu gosto dos sons dessa cidade, como o rock'n'roll que toca agora no DMAE, que assim, sem pretensão nenhuma mudou a minha noite de quinta-feira. E esse é o grande segredo dessa cidade, quando menos se espera, ao virar uma esquina podemos encontrar um jardim secreto ou então nos transportar para uma cultura diferente
Mas volto a dizer pra gostar de Porto Alegre é necessário vivê-la ativamente. Fazer parte dos seus parques, dos seus cafés, dos seus shows, da sua gente. É aprender a conviver com o vento que faz os dias de inverno serem mais frios e aguentar o trânsito intenso, concentrando-se apenas no pôr-do-sol no fim da Ipiranga. 
Acho que qualquer cidade pode despertar o nosso amor, basta querermos nos apaixonar pelo lugar onde moramos.


1.4.09

Sobre a paz de espírito.

Pra mim não existe nada mais importante do que a FÉ. 
Aos ouvidos menos sensíveis pode até parecer piegas ou pura demagogia, mas essas duas letras são a razão pela qual eu entendo que a humanidade se levanta todos os dias. Afinal, o que é que nós sabemos sobre a vida? 
A fé não necessita de palácios, de templos, de cultos, sermões ou cânticos. Ela é simples, é cotidiana, é essencial. Ela é interna e mutável; produzida por cada um de nós, assumindo diferentes formas e nos unindo em algo maior.
Ter fé é acreditar no dia seguinte, é mesmo sem ver saber que o ar existe e que podemos respirar. É não se deixar abater pelos tropeços diários, mantendo os olhos naquilo que nos espera depois. A fé é como uma corda que nos segura quando pulamos de um precípcio. 
Perder a fé é morrer aos poucos. É fechar os pulmões para o oxigênio, diminuir o ritmo cardíaco, ficar cego do coração.
Ter fé é garantir a sua própria paz.

*Ouvindo Morrissey (You were good in your time) e se sentindo leve. 

28.3.09

delete.

Ah como eu queria que a gente tivesse um botao de reset das lembrancas, de forma que desse pra escolher o segmento de memoria a ser apagado, criando pequenos buracos existenciais. Pra mim, isso seria um alivio. Eu voltaria a respirar calmamente e a angustia que hoje eu carrego aqui, bem no meio do peito, sumiria.
Queria me livrar de todos os cheiros, sons e toques que me fazem perder o chao. Parece que assim seria mais facil seguir em frente, como se simplesmente nao existisse. Afinal o processo de esquecer, sem o uso de aditivos alcoolicos (que no fim, nos fazem acordar pior no dia seguinte), e doloroso, complicado e extenso. Afinal, e necessario sobretudo criar uma nova idealizacao substituindo aquilo que se ve de bom, por coisas ruins. Ate que no fim, aquelas lembrancas boas, parecam distantes e irreais o suficiente pra achar que aquela pessoa, nao existe mais.
Mas so de pensar nisso, ja sinto uma dor. E fico fraca.
(espero que a fraqueza seja soh uma consequencia da ressaca)
(falta de acentos devido a teclado sem acentos. desculpa!)

26.3.09

por que?

Eu resolvi voltar, assim descompromissada, e escrever para quem quiser ler.
O trEPA! é um refúgio, e ando precisando de muitos portos-seguros.
(Pra começar, que dane-se a nova gramática, já dizia alguém que quanto mais regras um país possui, mais desorganizado ele é. Eu assino embaixo.)

Falando em regras, todos sabem que elas não existem para os relacionamentos humanos. É impossível generalizar quando falamos de sentimentos e de não-sentimentos. Eu sempre tentei acreditar que isso estava errado, e que havia sim um padrão de comportamento e que com muita observação seria possível criar uma fórmula infalível pra que amar e ser amado fosse muito mais fácil. Mas eu falhei. E por sinal, é esse sentimento de falha que me consome. 
Nada começa pra dar errado. Ou sim. Era isso que eu acreditava no início de todos os meus sorrisos, que havia sim um prazo de validade. No entato, agora eu vejo que no fundo todos esperamos que seja pra sempre. 
E quando isso se aplica ao amor fica ainda mais complicado descrever, afinal, será que acaba? Ou será que, na verdade, nunca existiu? 
Fico pensando em quantos eu te amo são simplesmente transformados em contos momentâneos de explosões apaixonadas, ao invés, de serem inscrições puras e inesquecíveis de um sentimento que deveria ser supremo. Talvez a era do romantismo tenha acabado, junto com tantas outras instituições que estão sendo reprimidas (e suprimidas) no nosso século. Talvez o ser humano tenha desaprendido a amar. Afinal, num mundo tão instantâneo, por que insistir em algo que não pode ser apagado com facilidade ou substituido? Por que insistir em algo que não fornece só prazer? Por que insistir em algo que implique dedicação e tempo? Por que insistir em algo que conjuga o verbo no plural, se falar no singular é muito mais prático? 
Por que amar? 


2.11.08

breve

uma volta breve pra dizer o que ficou guardado:
amar é pra poucos.
e só esses poucos entendem esse valor.

10.9.08

adios.

o trEPA! nasceu nos corredores da ESPM, motivado por um trabalho de História da Arte. Quer dizer, motivado, na verdade, pelos inúmeros pensamentos despejados todos os dias entre eu e a clá. Esses pensamentos, às vezes eram simplesmente resquícios da saideira da noite anterior, outras vezes eram desabafos sentimentias de duas recém-mulheres (18 aninhos apenas feitos).
Durante esses dois anos escrevendo por aqui, o foco dos nossos textos mudaram, acompanhando as mudanças que a gente enfrentou. Se no início pareciamos duas descrentes do amor, fortes e decididas, esse viés mudou, mostrando um lado muito mais sensível. Passamos a sentir com o coração, e não mais só com a pele e com a língua.
A clá acabou se dedicando a moda, e eu fiquei com a escrita.
Os textos aqui publicados são um emaranhado de passagens desses meus últimos dois anos. São como uma linha do tempo, e reelendo eles eu percebo o quanto não somos lineares e o quanto a subjetividade é algo que nos invade, nos transforma e, inclusive, nos afasta dos nossos anseios mais reais.
O nosso desejo sempre foi falar como mulher, e não sobre mulheres. Porque mulher não é um ser estático, ele se transforma a cada dia, a cada minuto. Mulher de verdade não é só Amélia e nem só Barbie. Mulher é um personagem circular, recheado de dramaticidade e de esperança. Mulher multiplica sensações, nem sempre resisti as tentações e precida do toque. Mulher tem ciúmes, mas também é infiél. Mulher pensa que é infiél, mas muitas vezes é só fidelidade. Mulher tem saudade e raiva. Tem raiva de sentir saudade. Mulher tem força nas suas fragilidades. Mulher é um bicho sério, mas mesmo assim é amada. E engana-se o homem que pensa que não ama ou que não amará pra sempre essa mulher. Porque ela erra, mas corre pra acertar tudo. Ela irrita, mas no momento seguinte consegue ser suave. Ela injoa, mas ela se modifica.
É pensando nisso, que hoje eu anúncio que o trEPA! entra em férias. Mas não é o prenúncio de um fim, e sim de uma evolução. Porque o trEPA! apesar do artigo que o antecipa, é mulher e não pode permanecer estático.
Eu volto, a gente volta.
Em breve.
*Abraço a quem ainda nos lê. E um montão de coisas boas pra vocês.